Uma professora e ativista chilena, que figurava na lista oficial de desaparecidos da ditadura de Augusto Pinochet, foi encontrada viva na Argentina. O teste de DNA confirmou que Bernarda Rosalba Vera Contardo, militante do Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR), é a mulher localizada na província de Buenos Aires, encerrando um caso emblemático da repressão chilena.
A Justiça chilena comunicou à família a confirmação após comparar o perfil genético da mulher encontrada na Argentina com amostras armazenadas no Banco Genético de Familiares de Detidos e Executados Políticos do Serviço Médico Legal do Chile. O exame apontou probabilidade superior a 99,9999% de que ela é Bernarda Vera. Durante décadas, ela esteve listada entre as vítimas de desaparecimento forçado após o golpe militar de 11 de setembro de 1973.
O Relatório Rettig, elaborado após o fim do regime, indicava que ela havia sido presa em outubro daquele ano e executada na região de Villarrica. A possibilidade de sua sobrevivência foi investigada em 2024, no âmbito do Plano Nacional de Busca, Verdade e Justiça, criado pelo governo chileno, com o ex-presidente Gabriel Boric. A investigação ganhou força após indícios de que ela fugiu do Chile no final de 1973.
Em 2025, uma equipe localizou nos arredores de Miramar, na província de Buenos Aires, uma mulher com características compatíveis. O juiz responsável pelos processos de direitos humanos determinou o exame genético. As investigações apontam que Bernarda conseguiu atravessar a Cordilheira dos Andes, obteve asilo político e nacionalidade sueca, onde teve três filhos, antes de retornar à Argentina em 1999.


