Um homem que permaneceu 27 anos no corredor da morte nos Estados Unidos teve sua condenação por assassinato anulada em junho deste ano. A Suprema Corte da Louisiana concluiu, por unanimidade, que as evidências de marcas de mordida usadas no julgamento eram fraudulentas, liberando o indivíduo.
A anulação ocorreu após a divulgação de um vídeo que levantou dúvidas sobre a principal prova contra o homem. Ele foi condenado em 1998 pela morte de uma menina, ocorrida em 1993 enquanto estava sob seus cuidados. Inicialmente, médicos e investigadores não encontraram marcas de mordida no corpo da vítima.
Posteriormente, um exame realizado por um patologista e um dentista forense revelou que um molde dos dentes do homem foi pressionado e raspado sobre a pele da criança. Essas marcas foram usadas para sustentar acusações de estupro e homicídio, mas o vídeo nunca foi apresentado ao júri.
A comunidade científica passou a desacreditar a análise de marcas de mordida anos depois. Em 2022, o Innocence Project utilizou o vídeo na defesa. Em 2024, o juiz Alvin Sharp anulou a condenação, e a Suprema Corte da Louisiana manteve a decisão, comparando o método a práticas medievais de “julgamento pela água”.


