A dificuldade do Partido Liberal (PL) em firmar alianças nacionais abriu espaço para que a escolha da vice de Flávio Bolsonaro se tornasse um movimento político para Michelle Bolsonaro. Dirigentes do partido defendem a participação da ex-primeira-dama na definição do nome, enquanto ela apoia a vereadora Priscila Costa.
A estratégia de dar peso político a Michelle Bolsonaro visa manter sua ligação com a candidatura, auxiliando a reduzir a resistência do segmento feminino ao senador, que apresenta seu pior desempenho nesse grupo. Segundo pesquisa Datafolha, em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o petista tem 50% das intenções de voto entre eleitoras, contra 40% do senador.
A ideia de ampliar a participação de Michelle na definição da vice é atribuída ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, mas depende da manutenção do isolamento político da legenda. A federação União-PP, por exemplo, ameaçou deixar o PL no Ceará para apoiar o PT devido a desentendimentos internos. Priscila Costa, aliada de Michelle, afirmou estar à disposição, mas disse que tudo depende de outros partidos.
Paralelamente, a campanha acelerou o plano de usar Fernanda Bolsonaro, esposa de Flávio, como ativo eleitoral. A cirurgiã-dentista deve iniciar uma caravana nacional a partir de 10 de agosto, focada no eleitorado feminino. O PL, diante da fragilidade das negociações, avalia que Flávio terá que recorrer aos próprios quadros para a escolha da vice.

