Ventos de até 111 km/h atingiram a Costa Verde do Rio de Janeiro na tarde de quarta-feira, causando destruição. A questão levantada é a antecedência dos alertas, visto que meteorologistas independentes já monitoravam o sistema e alertavam sobre rajadas fortes no litoral paulista e fluminense.
A intensidade do vendaval gerou questionamentos sobre a comunicação do risco à população. Registros e especialistas indicam que, enquanto o sistema avançava pelo litoral de São Paulo, alertas já circulavam em redes sociais. A Defesa Civil, contudo, enviou mensagens para celulares cadastrados somente às 16h43, cerca de duas horas depois que os ventos atingiram a Baía da Ilha Grande e Angra dos Reis.
A cronologia dos eventos mostra sinais de alerta prévios. Às 10h, um especialista em inteligência náutica publicou vídeo alertando sobre a possibilidade de ventos intensos, citando o modelo europeu ECMWF. Mais tarde, um doutor em Meteorologia reforçou o aviso, prevendo que a linha de cisalhamento avançaria pelo litoral paulista em direção ao Rio de Janeiro com ventos muito fortes.
O prefeito local afirmou que o vendaval surpreendeu até os meteorologistas, o que impediu a emissão de Alerta Extremo. Segundo ele, os modelos não projetavam rajadas superiores a 100 km/h para a região, pois eventos desse tipo dependem da interpretação de uma linha de cisalhamento, um fenômeno mais desafiador de prever.


