O Governo Central registrou um déficit primário de R$ 92,2 bilhões no primeiro semestre de 2026, conforme dados divulgados pela Secretaria do Tesouro Nacional. O valor é superior ao saldo negativo de R$ 11,3 bilhões apurado no mesmo período de 2025. A deterioração das contas ocorreu devido ao crescimento das despesas totais em ritmo maior que o das receitas líquidas.
No mês de junho, o déficit foi de R$ 48,2 bilhões, um aumento em relação aos R$ 44,2 bilhões registrados no ano anterior. O aumento real de 9,0% nas despesas totais, que somaram R$ 243,4 bilhões, foi pressionado por créditos extraordinários, como os R$ 2,1 bilhões destinados à subvenção ao óleo diesel rodoviário, e pelo crescimento de R$ 5,1 bilhões nas despesas discricionárias de saúde.
A receita líquida, por sua vez, apresentou alta real de 10,3% em junho, totalizando R$ 195,2 bilhões. Esse desempenho foi impulsionado pela exploração de recursos naturais, que saltou 77,9% devido à valorização do petróleo. Contudo, o governo enfrentou forte retração nas receitas não administradas, com dividendos e participações de estatais despencando 58% no semestre.
As reduções mais acentuadas vieram de empresas como BNDES, com queda de R$ 6,7 bilhões, e Caixa, com queda de R$ 2,3 bilhões. O resultado primário acumulado de R$ 92,2 bilhões é composto pelo déficit de R$ 236,2 bilhões da Previdência Social, parcialmente compensado pelo superávit de R$ 144,3 bilhões do Tesouro Nacional.


