Uma lagoa em Vigia de Nazaré, Pará, atraiu grande fluxo de visitantes devido à sua aparência cristalina, mas pesquisadores alertam sobre riscos invisíveis. A especialista Simone de Fátima Pinheiro Pereira, da Universidade Federal do Pará (UFPA), afirmou que a transparência da água não garante sua segurança para banho.
A popularidade do local, que pode ter surgido em antiga área de mineração ou lixão, gerou questionamentos sobre a qualidade da água. A professora Simone de Fátima Pinheiro Pereira explicou que a água cristalina não permite identificar vírus, bactérias ou elementos tóxicos como mercúrio, arsênio e chumbo. Ela declarou que a população deve exigir análises técnicas antes de usar o ambiente para lazer.
Segundo a especialista, a avaliação deve começar pela identificação dos contaminantes, verificando se há lançamento de esgoto ou outras atividades na região. Ela ressaltou que a Resolução nº 274 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) define a balneabilidade, sendo a análise microbiológica o parâmetro principal para liberar o uso recreativo.
A pesquisadora enfatizou que crianças, idosos e pessoas imunodeprimidas são os mais vulneráveis a doenças de veiculação hídrica, como hepatite e cólera. Ela recomendou que, na ausência de laudos oficiais da Secretaria de Meio Ambiente e da Secretaria de Saúde, a prudência deve prevalecer, pois água bonita não significa água segura.

