A convenção do Partido Liberal (PL), realizada em São Paulo, lançou Flávio Bolsonaro como candidato presidencial, mas o evento expôs dificuldades políticas internas. A candidatura passou a priorizar o apoio de lideranças da ultradireita internacional, como Javier Milei e Donald Trump, em detrimento da mobilização nacional.
O evento, realizado no Estádio do Pacaembu, não consolidou uma ampla coalizão conservadora. A imagem registrada mostrou a ausência de parte de lideranças nacionais e o protagonismo de convidados estrangeiros. O presidente argentino Javier Milei foi a principal figura, enquanto Donald Trump e Benjamin Netanyahu enviaram mensagens de apoio. A candidatura brasileira parece depender mais de figuras internacionais do que de aliados domésticos.
A imprensa tradicionalmente ligada à direita liberal criticou a estratégia. Um editorial apontou que, sem apoio do Centrão e sem discurso próprio, o candidato estaria usando figuras externas para mascarar a fragilidade da candidatura. Analistas também notaram ausências de figuras políticas relevantes no evento, interpretando-as como um cálculo político.
Em paralelo, dados de mercado indicaram mudanças no cenário eleitoral. Em um encontro promovido pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide), um CEO afirmou que a probabilidade estatística de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva alcançava cerca de 60%. Essa percepção de mudança se soma ao crescente peso da articulação internacional de Flávio Bolsonaro, que busca inserir a disputa nacional em uma narrativa global da extrema direita.


