Contingentes da Polícia Militar ocupam o Samba do Cruz, um ponto de encontro histórico do samba paulistano e do movimento negro na Zona Norte de São Paulo. A ação visa a remoção da comunidade para dar lugar a uma nova concessão privada da Prefeitura, que planeja o Parque Municipal Campo de Marte.
O Samba do Cruz, instituição enraizada na cultura popular, nasceu do Grêmio Esportivo Recreativo Cruz da Esperança, fundado em 12 de outubro de 1958 por taxistas negros. O local se consolidou como um reduto da cultura negra, unindo samba, identidade e futebol de várzea. A Prefeitura classifica a presença do grupo como “ocupação irregular”.
Em janeiro de 2025, a administração municipal assinou contrato de concessão de 35 anos para o Campo de Marte, prevendo investimentos de aproximadamente R$ 202 milhões. O contrato foi entregue à Concessionária Campo de Marte SPE S.A., formada pelo Consórcio Cântaro SP. A Justiça concedeu prazo para desocupação em março de 2026, mas a decisão foi revogada, autorizando a demolição e o uso de força policial.
O consórcio foi o único concorrente na licitação, apresentando outorga inicial de apenas R$ 308 mil. A estrutura societária revela repetição de agentes econômicos entre o Campo de Marte e o Complexo do Pacaembu, gerando questionamentos sobre o processo de concessão. A Prefeitura deve responder por que o patrimônio cultural não foi incorporado ao projeto do parque.

