O Brasil figura entre as 21 nações com aumento de casos de infecção por HIV, com alta superior a 20% entre 2010 e 2025, segundo um relatório da Unaids. Embora o país apresente avanços, como a eliminação da transmissão vertical, o programa alerta para a fragilização da resposta global e a persistência de barreiras estruturais.
O relatório da Unaids, divulgado durante conferência internacional no Rio de Janeiro, detalha que, apesar de novas infecções e mortes estarem em níveis baixos nos últimos 30 anos, o financiamento internacional para o HIV caiu 18%, passando de US$ 8,8 bilhões em 2024 para US$ 7,3 bilhões em 2025. O diretor do departamento de HIV/Aids do Ministério da Saúde, Draurio Barreira, explicou que o aumento de casos pode ser atribuído à ampliação do diagnóstico, citando a quintuplicação da rede de testagem.
Contudo, a pesquisadora Beatriz Grinsztejn, presidente da IAS, afirmou que barreiras estruturais persistem, mesmo com acesso universal a antirretrovirais. Ela declarou que 30% das pessoas no país recebem o diagnóstico tardiamente, citando racismo, homofobia e pobreza como causas. Em contrapartida, o país alcançou a certificação da Opas em dezembro de 2025 por eliminar a transmissão vertical do HIV.
Outras conquistas incluem o crescimento de 41% no uso de PrEP entre 2024 e 2025, atingindo 233 mil usuários. Além disso, o Brasil está entre os países que ampliaram o orçamento público doméstico para o HIV desde 2025, conforme dados da Unaids.

