A prévia do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) avançou 0,06% em julho, um número inferior à expectativa de 0,22% do mercado. O dado, divulgado nesta terça-feira (28), indica desaceleração gradual da inflação, o que torna o cenário mais favorável para a autoridade monetária reduzir a taxa básica de juros.
O indicador acumulado em 12 meses atingiu 4,52%, ficando próximo ao teto da meta de 4,5%. Especialistas apontam que a desaceleração foi disseminada, com leituras mais brandas em quase todos os grupos. O principal fator de alívio foi o grupo Alimentação e Bebidas, que registrou deflação de -0,66%, puxada pela Alimentação em Domicílio (-1,14%).
Em relação às projeções, instituições financeiras avaliam a possibilidade de revisar para baixo os índices de inflação. A equipe de macroeconomia da XP mantém a estimativa do IPCA de 2026 em 5,2%, ressaltando um viés de baixa. Sobre a política monetária, a leitura mais branda consolida a expectativa de um novo alívio na taxa básica de juros, com projeções de corte de 0,25 ponto percentual na reunião de agosto.
Apesar do sinal positivo, há cautela entre analistas. Um CEO de capital ponderou que o resultado isolado dificilmente justificará uma flexibilização monetária. Além disso, especialistas alertam para os riscos externos, como as novas tarifas dos Estados Unidos, que podem impactar o câmbio e as cadeias de suprimentos.

