O filme ‘A Odisseia’ entrega as marcas estilísticas de Christopher Nolan, adaptando a obra de Homero em uma produção de US$ 250 milhões. A narrativa épica, contudo, fica em segundo plano diante do ritmo acelerado, montagem fragmentada e didatismo do diretor.
A adaptação de Homero para o cinema hollywoodiano atual é vista como uma ousadia, pois resgata o gênero épico, ausente em produções recentes. O filme apresenta virtuosismo em figurinos e cenografia, com uso de efeitos práticos, como navios navegáveis. No entanto, a escala monumental é prejudicada por um excesso de close-ups, decorrente do formato IMAX, e pela montagem frenética.
O ponto mais fraco apontado é o roteiro, considerado básico. O diretor opta por um didatismo constante, explicando cada ação e sentimento para a audiência, o que contrasta com a força das imagens. Duas cenas se destacam, como a da caverna do ciclope e a visita de Odisseu ao Hades.
Entre os atores, Matt Damon interpreta Odisseu, mas Robert Pattinson é citado como o melhor, no papel de Antínoo. O filme utiliza a estrutura não-linear e o tema do tempo, um motivo recorrente de Nolan, para justapor o trauma da guerra em Troia com consequências de conflitos modernos.


