Estados como Goiás e Ceará implementaram o monitoramento de conversas em parlatórios de presídios estaduais para combater facções criminosas. A iniciativa, amparada pela Lei Raul Jungmann, será expandida pelo governo federal, que planeja levar a escuta a 138 unidades em todo o país.
Os parlatórios, áreas reservadas para contato entre presos e visitantes, permitem a comunicação sob regras de segurança. As escutas têm permitido às forças de segurança identificar ordens de homicídios e extorsões articuladas por lideranças que mantêm influência dentro das unidades prisionais. No Ceará, o monitoramento começou em novembro de 2025 e resultou na Operação Mensageiros do Crime, que prendeu 12 advogados suspeitos de intermediar recados criminosos.
Segundo o promotor de Justiça Oscar Stefano, integrantes de facções se aproveitavam das visitas para usar advogados como intermediários, com relatos de pagamento de cerca de R$ 500 por visita. O promotor afirmou que o monitoramento é fundamental para desarticular a capacidade de comando do crime organizado. A experiência cearense foi referenciada pelo modelo de Goiás, onde as escutas iniciaram em 2020.
O governo federal, por meio do secretário Nacional de Políticas Penais André Garcia, busca elevar o padrão de segurança e implementar o monitoramento em 138 unidades. A estratégia foca no isolamento de um pequeno percentual da população carcerária que comanda o crime. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) manifestou resistência, alegando que o sigilo profissional é garantia do direito de defesa.


