Empresas associadas ao advogado Nelson Wilians foram alvo da Operação Distrato, deflagrada pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (CIRA/SP) nesta quarta-feira, 15. A ação visa desarticular um esquema que comercializava créditos falsos de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), causando prejuízo superior a R$ 3,8 bilhões aos cofres públicos.
Os investigadores apontam que a fraude era operada por empresas ligadas ao advogado, que utilizavam os créditos falsos para reduzir ilegalmente o tributo devido ao Estado. O CIRA/SP, órgão integrado pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado (Sefaz) e Procuradoria Geral do Estado (PGE), atua no combate a crimes tributários como sonegação fiscal e lavagem de dinheiro.
A trama financeira, segundo os investigadores, consistia em escritórios de advocacia e consultorias oferecerem créditos de ICMS com deságio. Os contribuintes, após aderirem ao esquema, deixavam de recolher o imposto integralmente e pagavam aos intermediários honorários de êxito que chegavam a 70% do valor dos créditos utilizados.
A operação expôs a amplitude do esquema: a Secretaria da Fazenda instaurou 874 Ordens de Serviço Fiscal para investigar quase 10 mil lançamentos suspeitos. Foram identificadas mais de 850 empresas envolvidas, e 746 autos de infração foram lavrados, cobrando o montante de R$ 3,8 bilhões em créditos tributários. A advogada Mayra Fahur de Paula, apontada como sócia no esquema, foi alvo de busca e apreensão em Londrina.

