A legislação brasileira exige que as escolas incluam conteúdos sobre prevenção da violência contra a mulher nos currículos da educação básica. Especialistas apontam que a mudança social depende do engajamento dos meninos no combate ao machismo, que deve começar antes de qualquer agressão.
A obrigatoriedade de tratar o tema faz parte de uma preocupação da legislação desde a criação da Lei Maria da Penha, em 2006. Em 2021, uma alteração na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) tornou o conteúdo obrigatório e instituiu a Semana Escolar de Combate à Violência contra a Mulher. O Ministério da Educação (MEC) normatiza as ações, cabendo às redes de ensino definir a inclusão curricular.
Luciano Ramos, do Instituto Mapear, afirma que a prevenção não é possível sem o diálogo com os jovens do sexo masculino. Ele declarou: “Se não incluir os meninos, se não incluir os rapazes, se não incluir os homens, a gente não muda o jogo”. Em iniciativas como as de Aracaju, rodas de conversa buscam desconstruir padrões machistas, estimulando a reflexão sobre comportamentos aprendidos.
O desafio atual inclui a influência das redes sociais. Uma análise da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) identificou 123 canais com discursos de misoginia em uma plataforma, totalizando mais de 23 milhões de seguidores. Profissionais da educação defendem que o debate deve ser antecipado, pois “se a gente começa mais cedo, se a gente começa na escola, a gente pode fazer com que essa violência nem aconteça”.


