O endividamento afeta a renda das famílias brasileiras, com mais de 83 milhões de pessoas negativadas, segundo o Mapa da Inadimplência do Serasa. O Banco Central também registrou que a inadimplência média em crédito subiu para 4,7%, o maior nível desde 2011.
Os números alarmantes foram divulgados em meio a programas de renegociação de dívidas, como o Desenrola. Especialistas apontam que tratar a renegociação apenas como solução ignora as causas estruturais do problema. A expansão do acesso ao crédito, muitas vezes sem análise da capacidade financeira do consumidor, alimenta um ciclo vicioso de dívidas.
O cenário mostra que o crédito passou a funcionar como complemento de renda, e não como instrumento para projetos. O advogado Stéfano Ribeiro Ferri, especialista em Direito do Consumidor, afirmou que o foco do Poder Público deve ser a prevenção do endividamento, e não apenas o anúncio de contratos renegociados.
Ferri declarou que uma sociedade madura mede o sucesso de suas políticas públicas pela capacidade de evitar crises, e não pela eficiência em enfrentá-las. O problema, segundo a análise, transcende a esfera individual, configurando uma falha estrutural da sociedade.

