Autoridades de saúde indicam que o recente surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC) pode envolver uma nova mutação do vírus. A suspeita levou o Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças e a Organização Mundial da Saúde a planejar estudos para avaliar o agente causador da doença.
A epidemia, provocada pela variante Bundibugyo, foi oficialmente notificada em maio deste ano, mas especialistas acreditam que a circulação do vírus começou em janeiro. Jean Kaseya, diretor-geral do Centro Africano, declarou que, até o momento, foram registrados mais de 4 mil casos na região. Ele afirmou que é preciso verificar se não há um problema adicional ou se o vírus não está sofrendo mutação.
Dados do instituto nacional de saúde pública da RDC indicavam, até 4 de agosto, 3.973 casos e 1.801 mortes. O surto concentra-se na província de Ituri, mas já alcançou Nord-Kivu, Sud-Kivu, Haut-Uele e Tshopo. Um desafio no combate é o rastreamento, visto que mais de dois terços das mortes ocorrem fora dos centros de tratamento.
Para conter o avanço, equipes de saúde planejam ampliar a busca ativa de casos e reforçar o uso de ferramentas digitais, com uma estratégia mais próxima das comunidades afetadas. Além disso, a Unicef alertou que o surto provocou queda de 69% na vacinação contra sarampo em Mongbwalu.

