No Brasil, mais de 1,7 milhão de crianças nascidas na última década foram registradas apenas com o nome da mãe, devido ao abandono ou não reconhecimento da paternidade. Assim, cresce o número de brasileiros que buscam a Justiça para retirar o sobrenome paterno, motivados por mágoas ou falta de suporte emocional.
A advogada Caroline Giffoni explica que é possível solicitar a retificação do registro civil a partir dos 18 anos. Para comprovar a ausência de vínculo, é necessário provar o afastamento completo do genitor, o que pode ser feito por meio de testemunhos ou ausência em eventos importantes, como formatura ou casamento.
Em casos mais graves, como o de um estudante de 27 anos, a busca vai além da simples retirada do nome. Ele pretende entrar com ação de desconstituição da paternidade, medida excepcional que exclui a filiação. Segundo a advogada que o representa, o juiz deve analisar se o caso justifica romper totalmente o vínculo.
A psicóloga Sandra Simplício comenta que a decisão de mudar o sobrenome é um processo consciente, mas doloroso, que envolve fases de raiva e luto. Ela afirma que, apesar dos traumas, quem passa pelo processo consegue reescrever sua história.


