Uma mulher reflete sobre a dificuldade de manter lembranças de seu pai após décadas, após ser questionada por um neto. Ela percebe que o amor pela figura paterna permanece, mas a memória concreta se desgastou com o tempo.
A reflexão surge após um neto perguntar sobre a existência de um pai. A mulher compreendeu que havia atingido uma fase em que se espantava por ter sido criança. O tempo passou tanto que ela não recorda o tom de voz do pai, mas o amor pela lembrança permanece intacto, embora a memória se tenha gasto.
Ela descreve um luto que não segue cerimônias, um estado silencioso que vai além do esquecimento. A mulher relata flashes de momentos, como um casaco no mesmo cabide ou o cheiro de cigarro, que trazem uma alegria antiga. Há também uma fotografia do pai, em terno claro, que não oferece confirmação sobre o contexto.
A narrativa questiona se a doçura sentida vem do homem que existiu ou da benesse do tempo, que suaviza as arestas. A mulher pondera se construiu um pai à altura da falta que ele faz, ou se ele foi realmente aquele homem. O texto conclui que a saudade é o que se sobrevive após a partida.


