A Controladoria-Geral do Estado (CGE) identificou possíveis irregularidades em contratos da Secretaria de Estado das Cidades durante a gestão de Douglas Ruas. A auditoria aponta um aditivo de 45,4% em um contrato de pavimentação concedido apenas 17 dias após sua assinatura, envolvendo quase R$ 450 milhões em obras.
O relatório da CGE analisa processos administrativos que envolvem consórcios liderados pela FP Vieira Engenharia. Durante o período em que Ruas comandou a secretaria, a empresa participou de três contratos que somaram R$ 449,8 milhões. Um dos questionamentos centrais é o Consórcio Recuperação Asfáltica Lote 02, que recebeu um contrato inicial de R$ 99,6 milhões. Apenas 17 dias depois, foi concedido um acréscimo de 45,4%, elevando o valor para R$ 144,9 milhões.
A CGE afirmou que o acréscimo supera em quase o dobro o limite legal de 25%, o que exige verificação imediata da motivação do aditivo. O documento acrescenta que aumentos expressivos no início da execução contratual podem indicar falha no planejamento ou direcionamento de recursos à empresa escolhida. Douglas Ruas contestou a interpretação, dizendo que o contrato foi resultado de “concorrência perfeitamente legal realizada por pregão eletrônico”.
A auditoria também registra que materiais de parte das obras foram fornecidos pela Mineradora Santa Edwiges, pertencente a um filho de Altineu Côrtes. A CGE concluiu que há indícios consistentes de possível conflito de interesses e vínculos comerciais entre agentes públicos e privados envolvidos nos contratos de obras públicas de elevado valor.


