Pequenas alterações na rotina, como optar por escadas em vez de elevadores ou caminhar até o ponto de ônibus, ajudam a aumentar a atividade física diária. Segundo especialistas, uma vida ativa exige a combinação de movimento constante com exercícios sistematizados, mas a prática ainda é insuficiente na população adulta brasileira.
A atividade física, definida como qualquer prática que envolve movimento, é considerada superior à inatividade. O professor Júlio Serrão explica que, para uma vida saudável, é necessário combinar o movimento diário com o exercício físico, que é a prática sistematizada em treinos. A Organização Mundial da Saúde estabelece que adultos devem realizar de 150 a 300 minutos semanais de atividade moderada ou 75 a 150 minutos de atividade vigorosa.
Dados da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) 2006-2024 indicam que, em 2024, 33,3% da população adulta brasileira apresentava prática insuficiente, um número menor que os 48,7% registrados em 2013. A pesquisadora Andreia Alexandra Machado Miranda aponta que mulheres enfrentam desafios adicionais, como a dupla ou tripla jornada, que limita o tempo para autocuidado.
Estudos também revelam desigualdades na prática. Andreia Miranda afirma que homens brancos com maior escolaridade continuam sendo os mais ativos no tempo livre, enquanto mulheres de grupos raciais minoritários e com menor escolaridade apresentam os níveis mais baixos. Por isso, a pesquisa reforça a necessidade de políticas públicas para reduzir essas desigualdades.
Para incorporar a prática, especialistas defendem que não é preciso ir à academia. Pequenas mudanças, como pausas ativas ou caminhar parte do trajeto, já contribuem. Guilherme Leutwiler Gabas complementa que programas de treinamento com baixo volume podem gerar bons resultados e que a responsabilidade pela saúde é compartilhada entre indivíduo e sociedade.


