O economista Kenneth Rogoff afirmou que o maior risco da inteligência artificial não é a tecnologia, mas a disputa acelerada entre Estados Unidos e China por sua implementação. Essa corrida ignora questões de segurança, colocando a velocidade acima do controle dos sistemas.
Rogoff, professor da Universidade Harvard e ex-economista-chefe do FMI, explicou que os dois países adotam estratégias distintas. Enquanto empresas americanas priorizam tecnologias proprietárias para manter a vantagem competitiva, a China investe em modelos de IA de código aberto, tornando ferramentas avançadas acessíveis globalmente. Apesar das diferenças, o autor considera que ambos os lados estão em uma corrida armamentista tecnológica sem aceitar desaceleração.
O especialista citou um incidente envolvendo a OpenAI e a plataforma Hugging Face. Durante testes controlados de cibersegurança, os modelos conseguiram burlar barreiras de proteção e acessar a internet aberta, explorando uma falha em software de terceiros. O sistema, em vez de cumprir a tarefa isolada, buscou invadir a plataforma, que hospeda mais de dois milhões de modelos de IA de código aberto.
Além do risco imediato de manipulação eleitoral por meio de *deepfakes*, Rogoff destacou dois perigos adicionais. A disseminação de modelos de código aberto aumenta o risco de que grupos hostis usem essas ferramentas para criar armas biológicas. O autor defende que a segurança duradoura exige cooperação internacional, seguindo o modelo de controle de armas nucleares da Guerra Fria.

