Poças de água doce, com vida aquática, surgem em pontos da costa do Mar Morto, localizado entre Israel, Cisjordânia e Jordânia. A alteração, que contrasta com a alta salinidade do lago, gerou interesse científico e religioso.
O Mar Morto possui concentração de sal de cerca de 34%, quase dez vezes maior que a do oceano, o que impede a sobrevivência da maioria dos organismos. O surgimento dessas áreas com vegetação e pequenos peixes chamou a atenção de cientistas e estudiosos bíblicos.
Geólogos do Instituto Geológico de Israel (GSI) afirmam que a mudança não tem origem sobrenatural. O processo decorre do recuo contínuo do nível do lago ao longo de décadas. Esse recuo expõe aquíferos subterrâneos que liberam água doce.
Essa água doce emerge por nascentes naturais em cavidades formadas pela dissolução de depósitos de sal. O GSI e o Centro de Pesquisa do Mar Morto e Arava documentaram mais de 9 mil dolinas no lado israelense do lago. Essas formações se tornam pequenas lagoas onde a vida se desenvolve.
Apesar da explicação geológica ser aceita pela comunidade científica, o evento reacendeu debates religiosos. Alguns fiéis relacionaram o surgimento da água doce a passagens do livro de Ezequiel, que descreve um rio transformando as águas do mar.


