O ex-prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, avalia a possibilidade de mudar sua candidatura para o Senado em Alagoas. A mudança visaria evitar conflito com a família Calheiros, apoiada por Lula no estado, mas pode gerar atrito com Arthur Lira, seu aliado atual.
A decisão de Caldas ocorre em meio a tentativas de reaproximação com o presidente Lula. Ele se afastou da base do ex-presidente Jair Bolsonaro após sua tia, Marluce Caldas, ter sido nomeada ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) por Lula no ano passado. Interlocutores próximos a Lula indicam que Caldas sinalizou alinhamento, mas enviou sinais ambíguos posteriormente.
Lira havia incentivado Caldas a concorrer ao governo de Alagoas, buscando espaço para o Senado. No entanto, a indecisão do ex-prefeito complica os planos de Lira, que já costurou alianças com prefeitos que apoiam o senador Renan Calheiros. Os aliados de Lira e de Renan notam que Caldas divulga viagens por Alagoas prometendo mudanças, mas sem se apresentar como candidato a governador.
A situação ganha complexidade com investigações da Polícia Federal sobre aportes do instituto de previdência de Maceió no Banco Master durante a gestão de Caldas. A PF deflagrou operação na segunda-feira para apurar a compra de R$ 97 milhões em papéis do Master, que foi liquidado por gestão fraudulenta.
A Justiça Eleitoral estabeleceu o sábado como prazo final para o registro da candidatura. Caldas, reeleito à prefeitura de Maceió em 2024, pode ter mais chances no Senado, o que levaria a um pacto de não agressão com os Calheiros, conforme tentado por Lira.


