Pesquisa da consultoria ilegra indica que o consumidor brasileiro adota a inteligência artificial em finanças, mas não cede a palavra final sobre seu dinheiro. O levantamento, intitulado “A Interface Invisível”, foca na relação entre usuários e a automação em serviços financeiros.
O estudo revela que o público busca conveniência, estabelecendo limites claros para a atuação autônoma da tecnologia. Setenta e sete por cento dos entrevistados querem serviços que ofereçam sugestões, mas que mantenham a decisão final com o usuário. Outros setenta e seis por cento confiam em pagamentos automáticos apenas sob condições específicas ou com limites estabelecidos.
A transformação digital já afeta o cotidiano bancário, com transações digitais representando oitenta e dois por cento das operações brasileiras. Mais de noventa por cento dos participantes da pesquisa utilizam bancos digitais. A IA passa a antecipar ações, como alertas de gastos ou sugestões de investimento, mas os clientes exigem transparência sobre como as decisões são tomadas.
A análise aponta que o modelo ideal é o de um “copiloto financeiro”, onde a tecnologia organiza dados e apresenta alternativas, sem substituir o indivíduo. Julia Dietrich, analista da ilegra, afirmou que decisões importantes devem vir acompanhadas de explicações e mecanismos de confirmação, pois muitos sistemas ainda funcionam como caixas-pretas.
O avanço do Open Finance, que já registra mais de sessenta e dois milhões de consentimentos ativos no país, permite maior personalização. Contudo, a disposição para delegar tarefas varia conforme o risco percebido. Para seguros, por exemplo, sessenta e sete por cento dos entrevistados preferem contratar a proteção somente quando identificam a necessidade.


