Uma pesquisadora lidera esforços para incluir o desenvolvimento infantil no Atlas Celular Humano, um projeto que mapeia as células do corpo. A iniciativa visa corrigir a visão anterior de que crianças são apenas adultos em miniatura, permitindo pesquisas mais precisas em saúde.
Deanne Taylor, diretora de bioinformática no Children’s Hospital of Philadelphia (CHOP), começou a campanha em dois mil dezessete. Na época, o projeto Atlas Celular Humano focava apenas em adultos. Taylor apontou que as células infantis expressam genes de forma diferente das células adultas, o que pode causar respostas drásticas e perigosas a medicamentos.
A preocupação de Taylor resultou em ações concretas. Ela se juntou à equipe voluntária do Atlas e liderou um artigo em dois mil dezenove defendendo a inclusão de estudos pediátricos. Esse impulso levou ao financiamento, em dois mil vinte e um, de um projeto do NIH, o Developmental Genotype-Tissue Expression Project (dGTEx), com trinta e oito vírgula cinco milhões de dólares.
O dGTEx coleta amostras de tecido de crianças saudáveis falecidas, mapeando a expressão gênica em órgãos principais. Taylor e sua equipe organizam esses dados, criando uma base molecular do que a expressão gênica se parece em crianças. Esse banco de dados alimentará o Atlas Celular Humano, que agora possui uma seção pediátrica.
Segundo Sarah Teichmann, cofundadora do Atlas, Taylor traz uma visão ampla. Ela defende que o estudo não deve focar apenas em um órgão, mas em uma visão holística do desenvolvimento infantil. A inclusão dessa perspectiva pode ajudar a identificar biomarcadores de doenças e até mesmo permitir o tratamento de condições crônicas anos antes do aparecimento dos sintomas.

