A possível eleição do Irã para um comitê importante da Organização das Nações Unidas (ONU), com poder sobre políticas de direitos humanos e contra o terrorismo, foi chamada de “Orwelliana” por um líder de grupo de vigilância da ONU. A votação na Assembleia Geral da ONU deve ocorrer em novembro.
O comitê, composto por trinta e quatro estados-membros que servem por três anos, exerce uma função administrativa influente na execução de iniciativas de direitos humanos em todo o sistema da ONU, embora não elabore tratados ou emita condenações. O Conselho Econômico e Social da ONU (ECOSOC) indicou o Irã em abril, apesar do histórico documentado de abusos sistemáticos contra direitos humanos, repressão a mulheres e uso de força letal contra opositores políticos pelo governo iraniano.
Hillel Neuer, diretor executivo da UN Watch, sediada em Genebra, declarou que o Irã é um dos últimos governos com influência na organização. Ele afirmou que a situação na ONU representa “loucos administrando o asilo”, citando o regime iraniano por violência contra mulheres que defendem seus direitos.
A nomeação não seria inédita, pois o Conselho de Direitos Humanos da ONU já inclui nações com registros de direitos humanos criticados, como China, Cuba, Paquistão e Eritreia. O grupo de vigilância apontou que o Irã também é considerado um estado patrocinador de terrorismo por organismos globais, financiando grupos militantes como Hezbollah e Hamas.
Neuer acrescentou que o aspecto mais decepcionante da possível nomeação é a concordância de democracias ocidentais. Ele atribuiu isso a interesses, cinismo e à cultura de evitar conflitos com o país.

