Um fator de risco cardíaco desconhecido, a lipoproteína(a) ou Lp(a), pode afetar aproximadamente um em cada cinco pessoas. Uma análise da Sociedade de Angiografia e Intervenções Cardiovasculares (SCAI) aponta que a partícula, determinada geneticamente, não aparece em exames de colesterol convencionais.
O levantamento analisou dados de 20.070 participantes de três estudos clínicos financiados pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH). Os resultados mostram que altas concentrações de Lp(a) estão ligadas a maior risco de eventos cardiovasculares graves, acidente vascular cerebral (AVC) e morte por causas cardíacas.
A Lp(a) é uma partícula que transporta colesterol no sangue, similar ao LDL, mas possui uma proteína adicional que pode favorecer a formação de placas nas artérias. Um ponto chave é que seus níveis são majoritariamente definidos pela genética, o que significa que o risco pode existir mesmo com o colesterol LDL controlado.
A análise indicou que o alerta se acende para participantes com níveis de Lp(a) iguais ou superiores a 175 nmol/L. Esse grupo apresentou aumento de risco de eventos graves e morte por causas cardiovasculares, embora não tenha sido notado aumento significativo de infarto do miocárdio. A relação foi mais clara em pessoas que já possuíam alguma doença cardiovascular.
Para identificar esse fator, um exame de sangue específico é necessário. Segundo o cardiologista intervencionista Subhash Banerjee, conhecer os níveis de Lp(a) ajuda profissionais de saúde a intensificar o controle de outros fatores, como a redução do colesterol LDL. Atualmente, tratamentos específicos para a partícula ainda estão em fases avançadas de pesquisa.

