Quase metade das pequenas e médias empresas ainda não iniciou análise estruturada dos impactos da reforma tributária. Escritórios de contabilidade relataram que 63% não mapearam os efeitos das mudanças em suas carteiras de clientes. Os dados foram apresentados pelo economista Felipe Beraldi, da OMI, em entrevista recente.
As empresas enquadradas no Simples Nacional devem decidir em setembro se permanecem no modelo atual ou adotam o Simples híbrido. Essa escolha terá reflexos financeiros a partir de 2027, quando a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) começam a ser implantados. Beraldi disse que o atraso na preparação limita o tempo para avaliar os diferentes cenários.
A definição do regime não deve focar apenas na carga tributária. O economista afirmou que os negócios precisam observar a estrutura de compras, o perfil de clientes e a possibilidade de aproveitamento de créditos. Ele explicou que empresas B2B podem se beneficiar do regime híbrido, enquanto negócios voltados ao consumidor final tendem a manter a estrutura atual.
A estrutura de fornecedores também influencia o resultado da mudança, devido à geração de créditos. Segundo Beraldi, é preciso pensar na área de compras para identificar oportunidades de crédito. Setores de serviços com baixa oportunidade de crédito, mas com forte atuação B2B, receberão um alerta sobre a pressão tributária.
Além da escolha do regime, a adaptação de sistemas de gestão e emissão de notas fiscais é necessária. Beraldi alertou que negócios menores sem ferramentas adequadas para organizar dados enfrentarão problemas operacionais com a mudança. A tecnologia, ele declarou, passa a ter papel relevante na rotina empresarial.


