O varejo de moda no Brasil enfrenta margens reduzidas devido à concorrência de plataformas globais e à volatilidade do consumo. Análises setoriais apontam que a rentabilidade dos negócios depende agora da gestão da cadeia de suprimentos, antes da chegada dos produtos ao consumidor.
Falhas no dimensionamento de coleções e na distribuição de tamanhos geram perdas de receita no setor. A prioridade da produtividade migrou de temas como expansão física para a precisão nas decisões que ligam estoque, canais de venda e o consumidor final. A disputa com empresas internacionais exige que a gestão analítica seja essencial para a saúde financeira das marcas nacionais.
O estoque inadequado causa prejuízos, seja por falta de produtos ou por excesso que exige remarcações. Um executivo da XCELiS, Jean Cara, Diretor de Projetos, afirmou que a margem se define nas decisões de compra e alocação, e não apenas no desconto final. Ele explicou que agilidade não significa acelerar tudo, mas sim criar flexibilidade operacional para reagir às mudanças da estação.
Para otimizar a operação, o planejamento de produtos deve calibrar o sortimento, a profundidade e a alocação. A profundidade, segundo Cara, protege a empresa da volatilidade, permitindo capital para reabastecimentos pontuais baseados no comportamento real do cliente. A alocação deve seguir o retorno financeiro por metro quadrado, usando inteligência geográfica para evitar capital parado.

