O Afeganistão registrou arrefecimento de conflitos armados nos cinco anos desde o retorno do Talibã ao poder, completando o aniversário da queda de Cabul. Contudo, a Organização das Nações Unidas aponta que restrições a mulheres e questões de terrorismo dificultam o futuro do país.
Dados da ONU Mulheres indicam que cinquenta e dois por cento das mulheres afegãs saem de casa apenas uma ou duas vezes por mês. Este cenário contrasta com os noventa e seis por cento dos homens que saem diariamente. A agência afirmou que o regime desmontou direitos de metade da população, tornando o país um caso sem paralelo moderno.
A Missão de Assistência da ONU no Afeganistão (Unama) relatou que as restrições geram custos sociais e econômicos. Georgette Gagnon, representante especial adjunta da ONU para o Afeganistão, declarou que paz e prosperidade exigem mais do que a ausência de conflito. O país segue sem eleições nem Parlamento eleito, concentrando decisões no líder supremo talibã.
Desde agosto de dois mil e vinte e um, o Talibã impediu cerca de dois milhões e quatrocentos mil afegãs de frequentar o ensino médio, conforme a Unesco. A exclusão econômica também é marcante: apenas sete por cento das mulheres estão empregadas, comparado a oitenta e quatro por cento dos homens. O Programa Mundial de Alimentos calculou que quarenta e sete por cento dos menores de idade apresentavam desnutrição no primeiro trimestre deste ano.
A economia cresceu quatro vírgula oito por cento em dois mil e vinte e cinco, segundo o Banco Mundial. Apesar disso, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita caiu, e mais de oitenta por cento das famílias estão endividadas. O regime tem reduzido o isolamento, firmando laços com países como China e membros da União Europeia, embora a Rússia seja o único país a reconhecer oficialmente o governo.


