Porto Alegre sedia neste sábado (15) a Marcha dos Quimbandeiros e o Encontro Internacional de Quimbandeiros. Os eventos, organizados pela Sociedade Beneficente Cultural Oxum e Oxalá, visam combater a intolerância religiosa no Rio Grande do Sul.
O ato, que acontece em sua terceira edição, terá início às 14h, seguido pelo Encontro, na sua 19ª edição, a partir das 20h. Pai Ricardo de Oxum, babalorixá da instituição, organizador da marcha, afirmou que a iniciativa surgiu devido ao preconceito enfrentado no estado, que concentra o maior número de adeptos de religiões de matriz africana, mas também registra alta incidência de intolerância.
Segundo o sacerdote, o preconceito se manifestava no impedimento de manifestar a fé em locais públicos. Dados do Censo Demográfico de dois mil e vinte e dois, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o Rio Grande do Sul possui 3,19% de seguidores de umbanda e candomblé em relação à população total, percentual maior que o do Rio de Janeiro (2,58%).
O sacerdote relatou que a resistência contra o preconceito é forte em outros países onde o encontro já ocorreu. Na Argentina, ele descreveu o preconceito como descarado, citando casos em que a polícia intervém em terreiros por conta de manifestações sonoras. No Rio Grande do Sul, a Quimbanda, ao lado de umbanda e candomblé, é uma expressão importante da espiritualidade afro, com forte ligação à história da população negra do estado.
O levantamento do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, referente ao período de janeiro de dois mil e vinte e cinco a janeiro de dois mil e vinte e seis, registrou 2.774 denúncias de intolerância religiosa pelo Disque 100. As denúncias com religião da vítima identificada apontam maior número de casos de matriz africana, com 228 na Umbanda e 161 no Candomblé.


