Pesquisas científicas mostram que a moderação no consumo de álcool oferece benefícios de longo prazo à saúde. A redução para níveis moderados já foi associada a queda no risco de certos cânceres, segundo médicos e dados de estudos recentes.
Um trabalho publicado na revista científica JAMA Network Open analisou homens com consumo excessivo. A diminuição para cerca de uma dose diária reduziu em quase dez por cento o risco de cânceres ligados ao álcool. Ben-Hur Ferraz Neto, cirurgião especialista em fígado e aparelho digestivo, explicou que a saúde deve ser vista como bem-estar geral, não apenas biológico.
Ele frisou que não há consenso oficial sobre o que é beber moderado, mas as diretrizes da Organização Mundial da Saúde e dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos indicam que não existe limite mínimo seguro. Diminuir o consumo já reduz riscos, embora o uso deva ser evitado por gestantes ou pessoas com doenças hepáticas.
Um estudo anterior da Fiocruz estimou que uma redução de vinte por cento no consumo de álcool pela população brasileira poderia evitar dez mil e quatrocentos mortes anualmente. Outra estimativa apontou que reduzir a ingestão média diária em uma dose pode poupar cento e cinquenta e sete mil e quarenta mortes por câncer no Brasil até dois mil e cinquenta.
Os prejuízos cardiovasculares, como a hipertensão arterial, melhoram com a redução do consumo em semanas. Além disso, o Grupo de Fígado do Rio de Janeiro informou que pacientes com esteatose hepática apresentam melhora já com seis a oito semanas de interrupção, e cirrose pode ter sua progressão interrompida com a cessação do uso.

