Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) descobriram que a baixa atividade de uma enzima durante a formação do cérebro pode estar relacionada à origem da esquizofrenia. A investigação, feita com células em laboratório, aponta para alterações que podem começar ainda na gestação.
A equipe estudou a fosfoglicerato desidrogenase (PHGDH), enzima envolvida na produção de serina, substância crucial para a comunicação e crescimento de neurônios no cérebro. Ao reduzir a atividade da PHGDH em células-tronco que viram neurônios e astrócitos, os cientistas observaram diminuição da produção de serina e aumento da morte neuronal. Estruturas cerebrais simuladas ficaram menores após vinte e um dias de cultivo.
O pesquisador Daniel Martins-de-Souza, um dos coordenadores do estudo, afirmou que a enzima é primordial para o neurodesenvolvimento. A hipótese é que mudanças ocorridas no útero afetariam gradualmente as redes de comunicação cerebral, manifestando sintomas anos depois. A análise inicial envolveu tecidos cerebrais de indivíduos com esquizofrenia.
Outra descoberta relevante foi a identificação da PHGDH em neurônios em formação, o que contrariava crenças anteriores de que a enzima estaria restrita aos astrócitos. Contudo, o estudo não comprova que a baixa atividade da enzima cause o transtorno, pois os experimentos foram realizados in vitro, em laboratório.


