Ao menos dez dos vinte e sete governadores eleitos em dois mil e vinte dois não disputarão reeleição, cargos no Legislativo ou a Presidência da República em dois mil e vinte e seis. Este número representa o maior contingente de gestores estaduais fora das disputas desde dois mil e catorze. As decisões envolvem barreiras jurídicas, escolhas pessoais ou ausência de espaço político.
A principal razão para as desistências é o rompimento dos governadores reeleitos com seus vices. O calendário eleitoral exige que ocupantes de cargos Executivos renunciem seis meses antes do primeiro turno para concorrer a outro cargo. Para evitar entregar o comando do Estado aos vices com quem rompem, os gestores optaram por permanecer nos cargos.
Em Alagoas, o governador reeleito afirmou ter optado por dar estabilidade à gestão. No Maranhão, o reeleito permaneceu no cargo para não entregar o comando ao vice-governador com quem teve rompimento. No Rio Grande do Norte, a configuração política tornou desfavorável a transmissão do cargo ao vice, levando a desistência da candidata ao Senado.
Outra causa citada foi a falta de espaço político. O governador do Paraná foi cotado para disputar a Presidência da República, mas desistiu após perder apoios partidários. Similarmente, o governador do Rio Grande do Sul não foi escolhido pelo partido para a disputa presidencial. O ex-governador do Distrito Federal chegou a renunciar ao Senado, mas desistiu por razões pessoais.
Decisões judiciais também impactam o cenário. Um ex-governador do Rio de Janeiro renunciou, mas desistiu da disputa ao Senado, focando na defesa jurídica. Este gestor segue inelegível até dois mil trinta, devido a condenações anteriores. O Tribunal Superior Eleitoral também tornou inelegível um governador de Roraima por oito anos.

