A reserva estratégica de petróleo dos Estados Unidos, armazenada em cavernas de sal, atingiu o nível mais baixo em quatro décadas. A queda, motivada pela liberação de estoques em resposta à guerra do Irã, preocupa especialistas que apontam risco de danos estruturais.
Os dados do Departamento de Energia mostraram que os estoques caíram abaixo de trezentos milhões de barris pela primeira vez desde o início dos anos 1980. A redução ocorre enquanto os Estados Unidos liberam cento e setenta e dois milhões de barris, o que deve deixar a reserva em cerca de duzentos e quarenta e três milhões de barris após a operação.
Amos Hochstein, ex-assessor sênior de energia do presidente Joe Biden, contestou a afirmação do governo sobre a segurança das cavernas. Ele disse que atingir o patamar atual pode levar ao esgotamento da reserva, impedindo sua reconstrução. Hochstein alertou em junho que esvaziar os estoques abaixo de trezentos milhões de barris cria risco de dano às cavernas.
O porta-voz do Departamento de Energia, Ben Dietderich, classificou como falsas as alegações de colapso, afirmando que as cavernas estão sempre cheias e que apenas a proporção entre petróleo e água muda. Contudo, o Government Accountability Office (GAO), em relatório de maio, apontou que ciclos de esvaziamento e reabastecimento podem corroer partes das cavernas.
Siddharth Misra, professor de engenharia de petróleo da Texas A&M University, explicou que setenta milhões de barris representam o mínimo físico para manter os tubos de extração submersos em óleo. Ele afirmou que, abaixo de trezentos milhões de barris, a reserva perde capacidade de bombear petróleo em alta velocidade, e a injeção de água pode dissolver as paredes de sal, gerando risco geológico.

