Um estudo conduzido na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) identificou que pessoas com hipotireoidismo têm maior incidência de apneia obstrutiva do sono (AOS). A pesquisa, baseada em dados de paulistanos, mostrou que quase metade dos participantes com a condição apresentava o colapso das vias respiratórias durante a noite.
A investigação, parte do Estudo Epidemiológico do Sono de São Paulo (EPISONO), analisou informações de setecentos e sessenta e um moradores da capital paulista. Do grupo, doze vírgula seis por cento tinha hipotireoidismo, e entre eles, quarenta e nove vírgula cinco por cento apresentava apneia obstrutiva do sono. A pesquisadora Ellen Maria Sampaio Xerfan, primeira autora do trabalho, disse que o resultado foi mais alto do que o esperado, visto que a literatura costuma apontar valores entre trinta e quarenta por cento.
O hipotireoidismo é caracterizado pela produção insuficiente de hormônios pela tireoide, gerando sintomas como cansaço e ganho de peso. A apneia obstrutiva do sono, por sua vez, causa queda de oxigênio e fragmentação do sono, elevando risco cardiovascular. Os achados reforçam uma possível relação bidirecional entre as duas condições.
Os resultados também indicaram que o tratamento do hipotireoidismo com reposição hormonal melhorou a qualidade do sono dos pacientes. Aqueles em tratamento dormiram, em média, quarenta e nove minutos a mais por noite e passaram vinte e dois minutos adicionais no sono profundo, estágio ligado à reparação do organismo, segundo Xerfan.
Monica Levy Andersen, orientadora do estudo, afirmou que é necessário investigar o sono de forma mais integrada na prática clínica. As autoras alertam que tratar uma condição não elimina a necessidade de avaliar a outra, pois ambas podem potencializar riscos à saúde cardiovascular.


