Seguradoras brasileiras revisam planos de contingência diante da expectativa de um El Niño mais intenso. O cenário aponta para possível aumento de sinistros causados por enchentes, vendavais e secas prolongadas, afetando veículos, imóveis e o agronegócio.
A FenSeg, por meio de Jarbas Medeiros, presidente da comissão de riscos patrimoniais massificados, trabalha com a projeção de um El Niño forte, com maior impacto previsto a partir de setembro. O período pode trazer chuvas torrenciais, alagamentos, vendavais e ciclones. As companhias reforçam a preparação operacional, monitorando previsões meteorológicas diariamente para antecipar perdas.
A frequência de eventos climáticos no Brasil cresceu. Dados da CNseg indicam que a média anual de registros passou de dois mil e meio em 2015 a 2019 para cerca de quatro mil e cinco no período de 2020 a 2024. Esse aumento forçou o setor a mudar de uma lógica reativa para uma estratégia de prevenção, segundo Marcio Probst, diretor de operações e sinistros do Grupo HDI.
O risco climático também influencia os contratos de resseguro. Medeiros afirmou que uma seguradora isolada não suportaria um risco catastrófico, o que impulsionou a oferta de coberturas como a de alagamentos. O percentual de mercado com essa proteção subiu de três seguradoras em 2024 para cerca de 80% atualmente.
Os índices de contratação de seguro ainda mostram desafios. Menos de dezoito por cento das residências brasileiras possuem seguro, enquanto empresas atingem cerca de vinte por cento. O maior sinistro climático registrado no país foi em 2024, no Rio Grande do Sul, onde o seguro cobriu seis bilhões de reais, valor pequeno comparado aos quase noventa bilhões de reais em perdas econômicas.


