A pianista francesa Vanessa Wagner realizou um concerto no Théâtre du Châtelet, em Paris, onde interpretou estudos de Philip Glass junto a prelúdios de Johann Sebastian Bach. O recital, que dura 2h20, busca confrontar a cultura do imediatismo por meio da contemplação musical.
Wagner abordou os Estudos de Glass com uma bagagem que inclui Mozart, Schumann, Schubert e música contemporânea, buscando intensidade e emoção. O compositor Philip Glass aconselha que sua música seja tocada como Schubert, e a pianista aplicou essa ideia ao justapor os dois mestres, separando-os de forma mínima.
Segundo Wagner, a justaposição entre Bach e Glass permite uma nova escuta, onde os compositores se contemplam mutuamente. Ela observa que os prelúdios de Bach, isolados das fugas, possuem características de estudos. Glass leva o procedimento de repetição de Bach a um nível extremo, criando uma correspondência nos padrões rítmicos e na percepção do tempo.
A artista, vencedora do Victoire de la Musique em 1999, chama essa apresentação de “uma rebelião contra o imediatismo”. Ela não faz pausas entre as peças, mantendo o público envolvido durante toda a integral dos 20 Estudos de Glass. Wagner relaciona sua busca por interioridade ao repertório minimalista com memórias de infância, incluindo a audição de Keith Jarrett.


