O presidente da Rússia, Vladimir Putin, visitou uma das ilhas disputadas do arquipélago Curil, ao norte do Japão, na semana passada. A viagem gerou uma reação forte de Tóquio, que considera as ilhas seu território inerente, e do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, que as classifica como parte integrante do território russo.
A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, classificou a visita como “absolutamente inaceitável”, referindo-se às ilhas, conhecidas pelo Japão como “Territórios do Norte”. A ocupação das Curilas ocorreu após a rendição japonesa em agosto de mil novecentos e quarenta e cinco, quando cerca de 17.300 residentes japoneses foram forçados a deixar a região.
Um professor de relações internacionais em Tóquio afirmou que a visita foi uma mensagem direcionada ao Japão, especialmente considerando o apoio japonês à Ucrânia e os laços de Tóquio com membros europeus da OTAN. Esse analista apontou um desejo russo de punir o Japão, embora também reconhecesse o potencial de apoio patriótico interno no país.
A disputa territorial persiste, pois os governos japoneses sustentam que a União Soviética anexou as ilhas ilegalmente. Esforços diplomáticos anteriores, como os realizados pelo ex-primeiro-ministro Shinzo Abe, não obtiveram sucesso. Em dois mil e vinte, a Rússia alterou sua Constituição para impedir a cessão de território a nações estrangeiras.
Um cientista político da Universidade Waseda comentou que os recentes fatos representam um golpe nas ambições japonesas. Ele acrescentou que a posição de Tóquio é frágil, visto que o país importa energia da Rússia e já possui sanções em vigor. O professor acredita que Putin tenta enfraquecer a primeira-ministra Takaichi usando a coordenação com China e Coreia do Norte.


