Diversas empresas do setor varejista, incluindo Casas Bahia e Lojas Marabraz, solicitaram recuperação judicial. Especialistas apontam que a alta taxa de juros e o elevado endividamento das famílias brasileiras impulsionam o cenário adverso para o comércio.
A Casas Bahia, após registrar prejuízo de dez bilhões de reais, entrou com pedido de recuperação judicial, com uma dívida registrada em 17,3 bilhões de reais. Dados da Serasa Experian mostram que, entre janeiro e abril deste ano, houve 268 pedidos de recuperação judicial, envolvendo seiscentos e dois empresas. Em 2025, o número atingiu novecentos e setenta e sete processos, um registro histórico.
O custo do crédito elevado é um fator central. A taxa Selic, que subiu de dois por cento ao ano em agosto de dois mil e vinte para quinze por cento em junho do ano passado, pressiona o caixa das companhias. Mesmo com a redução iniciada pelo Banco Central em março deste ano, os cortes somaram apenas um ponto percentual, mantendo a taxa em 14% ao ano.
A especialista Ana Paula Tozzi, CEO da AGR, consultoria especializada no varejo, explica que a margem de lucro no setor é apertada. Ela afirma que a sobrevivência depende de eficiência operacional e comercial, algo difícil de manter com o crédito caro.
Paralelamente, o endividamento familiar cresceu, atingindo o percentual de oitenta e dois por cento em julho, segundo a Confederação Nacional do Comércio. Um quinto das famílias destina mais da metade do orçamento ao pagamento de dívidas, o que freia o consumo de bens de maior valor.


