O empresário João Carlos Mansur, ex-controlador da Reag Investimentos, aproxima-se de um acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR). As conversas avançaram nas últimas semanas, envolvendo duas frentes de apuração: o Banco Master e a Operação Carbono Oculto.
A negociação de Mansur com a PGR vinha ocorrendo desde o final de 2025. Anteriormente, a defesa apresentou uma proposta ao Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo, mas as tratativas não avançaram. Paralelamente, havia diálogos com o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) sobre o caso Carbono Oculto, que investiga esquema de fraudes no setor de combustíveis, sonegação e lavagem de dinheiro, deflagrado em agosto de 2025.
A relação de Mansur com o Banco Master tornou-se foco da segunda fase da Operação Compliance Zero em janeiro. Um relatório do Banco Central enviado ao Tribunal de Contas da União (TCU) indicou indícios de fraude em operações do Master com fundos da Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários. Essas transações suspeitas somam R$ 11,5 bilhões e apresentaram falhas graves às normas do Sistema Financeiro Nacional.
Além disso, a proximidade entre os empresários foi notada quando o ex-controlador do Master buscava negociar sua própria delação. Investigadores trabalharam com a hipótese de depoimentos coordenados entre Mansur e o ex-controlador do Master. Contudo, as tratativas desse segundo empresário foram interrompidas em julho, após a rejeição de uma proposta de colaboração feita à PGR e à Polícia Federal.
No âmbito da Operação Carbono Oculto, os fundos administrados pela Reag aparecem nas investigações que atingiram estruturas financeiras ligadas a Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva. Após a operação, Mansur deixou o controle da companhia, vendendo 87,38% do capital para a Arandu Capital Holding em setembro de 2025.


