Uma análise econométrica aponta que o Pix contribui para a expansão do empreendedorismo no Brasil. O estudo, que relacionou o sistema de pagamentos ao mercado de trabalho, indicou um efeito positivo e estatisticamente significativo na proporção de trabalhadores por conta própria.
A pesquisa foi conduzida por Claudio de Moraes, professor de macroeconomia e finanças da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e por Aristides Andrade Cavalcante Neto, chefe do Departamento de Gestão Estratégica e Supervisão Especializada do Banco Central. Os autores criaram uma métrica para medir o empreendedorismo, usando a razão entre trabalhadores por conta própria e a população na força de trabalho.
Os dados mensais, coletados entre março de dois mil doze e agosto de dois mil vinte e cinco, foram obtidos a partir da Pnad Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O modelo considerou o volume de transações do Pix, a taxa básica de juros e outros fatores de controle para isolar o impacto do sistema de pagamentos.
Os pesquisadores afirmaram que o coeficiente da variável Pix é positivo e altamente significativo. Segundo eles, o resultado se manteve em diferentes especificações do modelo, sugerindo que uma infraestrutura de pagamentos ativa favorece as condições para pequenos negócios.
Os autores ressaltaram que as conclusões devem ser interpretadas pelo período inicial de funcionamento do Pix. Eles sugeriram novas investigações para analisar diferenças regionais e a interação do sistema com inovações como o Open Finance.

