A pressão por produtividade deixou o ambiente de trabalho e alcança o tempo livre e o sono. O filósofo Byung-Chul Han associa esse quadro à “Sociedade do Cansaço”, onde o indivíduo cobra resultados de si mesmo.
O cientista social Joel Paviotti explica que a internet intensificou esse processo. Ele afirma que a disciplina, antes imposta por instituições, passou a ser assumida pelo indivíduo, que busca replicar modelos de vida produtivos vistos nas redes sociais. Paviotti conta que, em caso de falha, a culpa é atribuída à falta de disciplina pessoal, e não a falhas sociais ou institucionais.
Essa cobrança também afeta a relação com o trabalho. Segundo o historiador, parte dos trabalhadores brasileiros busca no trabalho informal mais autonomia. Contudo, ele alerta que esses trabalhadores podem cair em armadilhas dos aplicativos, trocando o patrão tradicional por algoritmos que os mantêm em jornadas de doze a quinze horas diárias.
A mentora e psicanalista Jak Rocha diz que a sociedade associa valor pessoal à capacidade de produzir. Ela explica que o lazer passa a exigir demonstração de evolução ou resultado. Rocha também aponta que a necessidade de produzir se estende ao descanso, citando o fenômeno da “procrastinação da hora de dormir por vingança”.
Gustavo Arns, especialista em Ciência da Felicidade, foca na pressão emocional. Ele observa que há uma exigência social para que as pessoas estejam sempre felizes, o que leva ao afastamento de sentimentos como tristeza e raiva. Arns defende que a vida não deve ser transformada em uma sequência de tarefas a cumprir.


