O Sinafut, Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional, manifestou críticas a contratos firmados no âmbito da FFU. A entidade alega que esses acordos transferem o controle de receitas e decisões estratégicas de clubes brasileiros para agentes financeiros externos por prazos que chegam a cinquenta anos.
O sindicato declarou não ser contra a entrada de capital privado no esporte, mas contesta a cessão de poder de decisão para investidores de fora do Sistema Nacional do Esporte. Em julho, o Sinafut acionou o TJDFT contra a Sports Media Entertainment, sócia da FFU, e a Opea Securitizadora, empresa responsável pela emissão de títulos de dívida.
A ação civil pública sustenta que o acordo viola a Lei Geral do Esporte. Segundo o Sinafut, investidores podem fornecer recursos e crédito, desde que não haja a entrega do poder decisório sobre assuntos institucionais. A crítica se concentra em uma cláusula que exige noventa por cento de aprovação para certas deliberações, permitindo que o investidor, mesmo detendo apenas vinte por cento dos direitos, bloqueie mudanças relevantes.
A Sports Media Entertainment contestou a visão do sindicato. A empresa informou que o prazo de cinquenta anos se refere à sociedade formada pelos clubes e ao investidor, estruturada como condomínio, conforme proposta dos próprios clubes. A SME disse que os direitos de transmissão são negociados em ciclos, citando o período atual, de 2025 a 2029, com a Globo, Record, YouTube e Amazon.
A companhia afirmou que não realizou empréstimos ou recebeu garantias dos clubes, e que o risco é integralmente dos investidores. A SME também apresentou dados de aumento de receita média dos clubes do CFU, que subiu de R$ 95 milhões para R$ 140 milhões no período de 2024 a 2025.


