O ato de pedalar no Distrito Federal envolve riscos diários para milhares de usuários. Apesar da expansão das ciclovias, falhas de conexão, travessias perigosas e a conduta de motoristas mantêm o alerta de segurança no trânsito.
Entre dois mil e vinte e dois e dois mil e vinte e cinco, o Detran-DF registrou sessenta mortes de ciclistas em ocorrências de trânsito na capital. Em dois mil e vinte e cinco, o número foi de dezessete mortes, uma unidade a menos que no ano anterior. A especialista Adriana Souza, doutora em Transportes pela Universidade de Brasília, afirma que a experiência varia conforme o trajeto, horário e estrutura disponível, classificando o ato como vulnerável.
A especialista aponta que a alta velocidade em vias urbanas e rodovias aumenta a exposição dos ciclistas. Ela avalia que a rede cicloviária extensa não garante segurança, citando interrupções na infraestrutura, iluminação inadequada e conflitos em cruzamentos. Souza defende que o poder público priorize a eficiência da rede existente, visando um sistema “contínuo, conectado, seguro e integrado à cidade e ao transporte público”.
Júlio César Silva dos Santos, soldador de quarenta e oito anos, relata que o trajeto para o trabalho é tranquilo pela manhã, mas complicado no fim do expediente pela ausência de ciclovia. Ele mencionou que alguns motoristas desrespeitam os ciclistas. Outro ponto levantado por Raphael Barros Dorneles, coordenador-geral da ONG Rodas da Paz, é a necessidade de a estrutura viária impedir que erros humanos resultem em mortes, defendendo o conceito de Visão Zero.
Regina Machado relatou a perda da filha, Amanda Machado Suzane, de vinte e cinco anos, em novembro de dois mil e vinte e quatro. A jovem foi atropelada em alta velocidade enquanto pedalava na EPTG. Dorneles reforça que os cruzamentos permanecem como pontos críticos, exigindo engenharia que diminua o risco de sinistro e garanta a prioridade aos modais ativos, como previsto no Código de Trânsito Brasileiro.


