A campanha de Flávio Bolsonaro avalia que a participação de Pablo Marçal na corrida presidencial pode beneficiar o senador na disputa pela direita. Interlocutores consideram que Marçal atua como obstáculo para outros concorrentes, e planejam atraí-lo ao palanque caso ele seja impedido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O empresário já possui uma base de eleitores consolidada no campo conservador. Segundo a equipe do presidenciável, Marçal dificulta o crescimento de nomes como Renan Santos, candidato do Missão. Na eleição municipal de São Paulo, em 2024, Marçal alcançou 28,14% dos votos válidos e ficou próximo ao segundo turno.
A estratégia do QG de Flávio é evitar que outros nomes da direita ganhem força. Aliados reconhecem que Marçal pode disputar votos com o senador, mas acreditam que Flávio está protegido por ter um eleitorado consolidado do ex-presidente Jair Bolsonaro. A aproximação com Marçal interessa pela capacidade de mobilizar evangélicos e eleitores que não fazem parte da base bolsonarista mais fiel.
A situação jurídica de Marçal também influencia o cálculo. A Procuradoria-Geral Eleitoral pediu ao TSE que rejeite o registro do empresário, citando uma condenação do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) por uso indevido de comunicação em 2024. O tribunal manteve a inelegibilidade por oito anos, com multa de R$ 420 mil.
Apesar da liminar que reconheceu retroativamente sua filiação ao PRTB, a PGE aponta registros de que Marçal se apresentava como membro do União Brasil após o prazo legal. O pedido de análise do registro será decidido pela ministra Estela Aranha, relatora do processo.

