A colangite biliar primária (CBP) é uma doença autoimune crônica que ataca os ductos biliares do fígado. Atualmente, o SUS oferece apenas o ácido ursodesoxicólico, mas cerca de quatro em cada dez pacientes não respondem à terapia. O Ministério da Saúde avalia um novo tratamento para a condição.
A CBP, que causa inflamação e danos progressivos ao fígado, tem prevalência estimada em 5,23 casos por cem mil habitantes no Brasil. O gastroenterologista Guilherme Cançado, da Sociedade Brasileira de Hepatologia, explica que o diagnóstico ocorre frequentemente em pessoas em atividade profissional e familiar. Ele aponta que a predominância entre mulheres pode ser resultado de fatores genéticos, hormonais e ambientais.
A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) mantém aberta a Consulta Pública 66, que analisa um novo tratamento para a doença. Além disso, o Ministério da Saúde informa que a Rede de Atenção Especializada em Doenças Raras acompanha pacientes com CBP em cinquenta serviços multiprofissionais pelo país.
Estudos internacionais indicam que entre trinta e cinquenta por cento dos pacientes que usam o protocolo atual do SUS não atingem os níveis desejados de marcadores hepáticos, risco ligado à progressão da doença. Por isso, o órgão está revisando o Protocolo Clínico e Diretriz Terapêutica (PCDT) para atualizar o manejo clínico.
Cançado defende que a revisão do protocolo deve incluir a estratificação de risco desde o diagnóstico, usando métodos não invasivos de avaliação da fibrose hepática. A chegada de novas terapias oferece esperança para controlar a doença antes de ocorrerem danos irreversíveis ao fígado.

