Goiás contabilizou 552 empresas em recuperação judicial no primeiro semestre de 2026, atingindo o maior patamar em dois anos. Os dados, do Monitor RGF BizDoc, colocam o estado na quinta posição nacional, atrás de São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais.
A densidade de empresas em recuperação judicial em Goiás é a segunda maior do Brasil. O Índice de Recuperação Judicial (IRJ) local é de 0,56 por mil empresas ativas, quase o dobro da média nacional, que é de 0,30. O aumento ocorre em um contexto de crescentes inadimplências empresariais no país.
Em junho deste ano, mais de 9,1 milhões de empresas brasileiras apresentavam dívidas em atraso, totalizando R$ 232,9 bilhões. Em Goiás, 250.101 empresas estavam inadimplentes, acumulando R$ 4,39 bilhões em dívidas negativadas. A recuperação judicial é um mecanismo para reorganizar débitos, diferente da inadimplência, que são dívidas não pagas registradas em cadastros de crédito.
O agronegócio lidera os pedidos em Goiás, com 172 das 552 empresas em recuperação judicial. O setor agropecuário tem IRJ de 14,2%. Um especialista em recuperação judicial, Hanna Mtanios Hanna Júnior, aponta o ambiente macroeconômico, como a alta taxa de juros, como fator comum para as crises setoriais.
Casos recentes no varejo ilustram a dificuldade, como Casas Bahia e Lojas Marabraz, que buscaram a Justiça em agosto para renegociar dívidas. O advogado explica que o mercado mudou, exigindo adaptação das grandes empresas, e que a recuperação judicial busca reorganizar o negócio, e não significa falência.


