O número de brasileiros que formalizaram a saída fiscal do Brasil em 2026 foi de 46.603, representando alta de 80% comparado aos 25.797 registrados em 2021, informou a Receita Federal. A declaração de saída fiscal refere-se ao exercício do ano anterior.
O ato de renunciar ao domicílio fiscal implica abrir mão de considerar um local como sede para fins tributários. O advogado tributário Haroldo Bertoni avaliou o crescimento de 80% com cautela. Ele explicou que o aumento pode refletir não apenas emigração, mas também a regularização de pagadores de impostos que já moravam no exterior, mas não haviam formalizado sua situação perante a Receita Federal.
Bertoni apontou que a intensificação da cooperação fiscal internacional aumentou a exigência de que contribuintes com patrimônio no exterior mantenham sua situação fiscal correta. Artur Ratc, advogado especialista, declarou que a Receita Federal monitora casos de saída fiscal apenas no papel. Isso ocorre quando o indivíduo busca o benefício de não residente sem mudar fisicamente de país.
Para evitar fraudes, Ratc disse que o Fisco utiliza o princípio da primazia da realidade. A Receita Federal cruza dados automáticos internacionais com indícios locais, como cartões de crédito e dependentes no Brasil, para identificar simulações.
Os Estados Unidos lideram os destinos de saída fiscal em 2026, com 11.934 registros, segundo a advogada tributária Thainá Pierucetti. Portugal registra 8.821 saídas, seguido pelo Canadá, com 2.929. Em nível estadual, São Paulo lidera com 17.700 registros.

