Quarenta e três mil, novecentos e dez crianças de zero a dez anos em Goiás foram classificadas com obesidade em 2025. Os dados, oriundos do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional, mostram que a condição, que afeta 9,34% das crianças avaliadas no estado, é um fator de risco para doenças cardiovasculares.
A obesidade infantil deixou de ser vista apenas como questão de peso. Ela representa um risco significativo para doenças cardiovasculares tanto na infância quanto na vida adulta, segundo a cardiopediatra Mirna de Sousa. A especialista afirma que o problema começa antes dos primeiros sinais, com a programação metabólica iniciada durante a gestação, reforçando a importância do pré-natal.
O primeiro ano de vida é decisivo para prevenir a obesidade futura, aponta Sousa. O aleitamento materno exclusivo nos seis primeiros meses é citado como estratégia principal. O surgimento do problema geralmente ocorre quando alimentos ultraprocessados entram na rotina alimentar das crianças cedo demais, associado ao sedentarismo.
A especialista esclarece que o acompanhamento periódico é mais eficaz que esperar sintomas. O ganho de peso progride lentamente, dificultando a percepção familiar. Ela orienta que pediatras avaliem peso, estatura e curva de crescimento regularmente. Cansaço excessivo em brincadeiras ou alterações na pressão arterial também exigem investigação médica.
Um fator que acelera a obesidade é o tempo de tela. A mudança no comportamento familiar reduziu o espaço de brincadeiras ao ar livre. Sousa sugere que a mudança de hábitos deve envolver toda a família, reduzindo ultraprocessados e trocando telas por atividades físicas em parques.


